Sobre Poltergeist
Sobre Poltergeist

Disse asneiraPoltergeist não é fantasma.

 

O documentário em questão, de onde foi emprestado o título desse post,  é de 1999, e foi lançado nos EUA em outubro de 2000 (no Halloween). Gerou muita polêmica quando estreou na televisão, e continua gerando pela internet.
Basicamente o que vemos nele são os vídeos originais de pessoas que alegam ter filmado dois tipos de “atividade paranormal”: uma conhecida como poltergeist, e outra conhecida como assombração (hauting). Apesar de o senso comum se referir a esses fenômenos como sendo sinônimos, na verdade eles são essencialmente diferentes. A diferença mais básica entre um e outro é que um poltergeist tem como “epicentro” (foco) uma pessoa, geralmente um menino ou uma menina na puberdade. É esse adolescente que de alguma forma provoca o fenômeno. Já a assombração está ligada a um local, não a uma pessoa (viva). Também não é possível “interagir” com os “fantasmas” de um local considerado assombrado, já que eles se comportam como se estivessem seguindo algum roteiro. Alguns casos mencionados no documentário são muito mais famosos do que outros (como o fantasma de Greencastle), entretanto nenhum dos casos teve sua autenticidade comprovada.

Cena do filme "Poltergeist", de Steven Spielberg

Muita gente acha que é tudo algum tipo de fraude ou encenação. Acredito que o grande defeito do documentário seja exatamente a falta de mais especialistas (sérios) comentando os vídeos. Por que algumas das gravações  e fotos apresentadas realmente intrigam, se forem genuínas. Mas vivendo na época em que vivemos, com todo o acesso facilitado a tecnologias e técnicas de manipulação de imagens, entre outras coisas, como separar o joio do trigo?
Enfim. Os produtores do documentário deixam para o telespectador a decisão de acreditar ou não nos depoimentos e vídeos apresentados. Só advirto que as opiniões mostradas ali são um tanto tendenciosas.Poltergeist, por exemplo, é um fenômeno real, porém afirmar que sejam “espíritos” ou “fantasmas” é apenas uma questão de interpretação. É uma teoria, mais difundida pelos adeptos do Espiritismo.
Sobre o fenômeno Poltergeist, a Enciclopédia do Sobrenatural , editada por Richard Cavendish, com colaborações de outros estudiosos do assunto, como J.B. Rhine (o “pai” da Parapsicologia científica), possui um verbete bem completo sobre o tema. Transcrevo abaixo algumas das informações reunidas ali:
SorrisoA palavra poltergeist é alemã e significa espírito (Geist) ruidoso ou chocalhante (poltern). Alguns dos primeiros casos registrados são de fato alemães. Por exemplo, em 858, perto da cidade de Bingen sobre o Reno, comunicaram-se quedas de pedras, ruídos altos e pancadas. Acreditava-se que os fenômenos eram causados por espíritos. Qualquer que fosse a causa, era imune ao exorcismo. Sabe-se de outro caso, em 1184, na residência de um certo William Nott, no País de Gales, quando mais uma vez se julgou que os espíritos estavam à solta, atirando torrões de terra e rasgando roupas. Em 1962, Richard Chambelain, Secretário da então Província de New Hampshire, examinou uma série de inexplicáveis quedas de pedras atribuídas a um “diabo apedrejador”.
As perturbações do poltergeist ocorrem normalmente na vizinhança de uma determinada pessoa, muitas vezes um menino ou menina na puberdade ou na adolescência. Em geral, esses fenômenos são distinguidos do outro grupo de distúrbios inexplicáveis que se chamam assombrações. Afinal, a palavra assombração (haunt, em inglês) deriva da mesma raiz de “casa” (home, em inglês), e refere-se à crença em que o espírito de uma pessoa morta permaneceu em seu habitat terrestre, ou a ele retornou. Em geral, as assombrações não parecem depender de qualquer pessoa viva em particular, mas relacionam-se com uma localização especial, como uma “casa mal-assombrada”. Há outras diferenças. Nos incidentes de poltergeist, predominam as perturbações físicas, enquanto as experiências alucinatórias são comuns aos casos de assombração. Essas experiências, que podem incluir a visão de “fantasmas” e o ouvir passos, são alucinatórias na medida em que geralmente só algumas pessoas as têm, e outras não.
Nos casos de poltergeist, há muitas vezes movimentos diários e destruição de pratos, quinquilharias, móveis e outros artigos domésticos movíveis, ao passo que tais incidentes são mais raros e menos frequentes no típico caso de assombração, se é que ocorrem. Contudo, as assombrações tendem a durar mais tempo. Não é incomum saber de uma casa que tem sido assombrada há vários anos. Por outro lado, as perturbações do poltergeist são em geral de duração muito mais curta, raras vezes mais que uns dois meses, e muitas vezes menos.
Sobre a opinião dos parapsicólogos a respeito do que provoca o poltergeist:
Pelo fato de os incidentes de poltergeist normalmente ocorrerem na estreita proximidade de uma pessoa viva, os parapsicólogos tendem a vê-los como manifestações de psicocinese, ou PK (ação da mente sobre a matéria). E por serem recorrentes e surgirem inesperada e espontaneamente, são comumente chamados de casos de “psicocinese recorrente espontânea”, ou RSPK (das iniciais dessas palavras em inglês). Parecem ser casos inconscientes de PK, pois a pessoa que parece provocá-los em geral não sabe de seu envolvimento. Algumas pessoas continuam convencidas de que os fenômenos de RSPK se devem à ação de uma entidade desmaterializada, como o espírito de alguém morto, ou de um “demônio” que se grudou numa pessoa viva e causa os incidentes por PK. Contudo, como não existe nenhuma prova desses espíritos além dos próprios fenômenos, a maioria dos parapsicólogos é de opinião que os fenômenos de poltergeist são exemplos de PK inconsciente, exercida pela pessoa em torno da qual eles ocorrem.
Abaixo, listo e descrevo resumidamente os casos que foram tratados neste especial,  e alguns dos especialistas que foram chamados para comentá-los. Lembrando que as descrições podem conter spoilers… Piscadela

1 – O poltergeist de San Pedro, Califórnia.
 
O líquido que gotejava das paredes da casa de Jackie, que depois se verificou ser sangue humano.
SurpresaO líquido que gotejava das paredes da casa de Jackie, que depois se verificou ser plasma de sangue humano.
É um dos casos mais conhecidos de poltergeist já registrados nos EUA. Ocorrido em 1989, na casa de Jackie Hernandez (o número 593, na West 11th Street), foi pesquisado pelo parapsicólogo Dr. Barry Taff. As filmagens foram feitas pelo cameraman Barry Conrad. Jeff Wheatcraft, que também fazia parte da equipe de investigação, foi inclusive vítima de um suposto ataque por parte do poltergeist.
Jackie, segundo o Dr. Taff, é a típica vítima desse tipo de fenômeno. Sofria de severas pressões psicológicas, havia sido abusada por homens, tinha um estilo de vida violento, além de sofrer de angústia e depressão. Como a maioria das vítimas de poltergeist, Jackie vivia num ambiente doentio, o que possibilita o argumento de que o ambiente era fértil para o tipo de energia psicocinética violenta experienciado lá.
poltergeist na casa de Jackie tinha ela como alvo. Dos eventos estranhos relatados por ela (e depois confirmados por outras testemunhas, incluindo o parapsicólogo supracitado) inclui-se: o avistamento de três aparições, um líquido que continuamente gotejava das paredes da casa (e que depois de análises realizadas por um laboratório forense da UCLA, revelou-se ser plasma de sangue humano, com altos índices de iodo e cobre), a televisão se ligava sozinha, alguns equipamentos não funcionavam direito, objetos eram atirados contra ela, além de estranhos barulhos no sótão, que de tão altos, eram possíveis de ser ouvidos por todos que estavam na casa.
Barry Taff é um parapsicólogo, que possui doutorado em Psicofisiologia e que trabalhou como pesquisador associado no antigo laboratório de parapsicologia da UCLA de 1969 até 1978. Durante sua carreira de 36 anos, ele investigou mais de 4.000 casos de fantasmas, poltergeists e assombrações. É mais conhecido por ter sido o pesquisador do caso que ficou mundialmente famoso por ter sido adaptado para o cinema, o filme que foi entitulado “The Entity “, é de 1981 e no Brasil teve o título traduzido para “O Enigma do Mal “. É um filme que já cansei de ver na Sessão da Tarde… É ótimo e assustador. Para variar, parece que uma possível refilmagem pode sair pra 2010…
2 – O poltergeist de Ohio
Em 11 de maio de 1993, cansados de se incomodarem com os estranhos barulhos e movimentações misteriosas de objetos pela casa, uma família decide ligar uma filmadora durante uma noite inteira, apontada para a sala de jantar, e tentar descobrir a origem de toda essa perturbação. O que eles filmam, está muito além do que poderiam imaginar.
O pesquisador paranormal que investigou o caso se chama John Orborne. Segundo ele, mesmo após ter assistido ao vídeo inúmeras vezes, não conseguiu encontrar evidências de fraude.
3 – O poltergeist da casa em reforma
Um homem decide reformar sua casa. Porém, todos os dias os pedreiros reclamam que suas ferramentas foram mexidas, que objetos eram mudados de lugar e que o trabalho que faziam era estragado durante a noite, e que tinham que ficar refazendo os reparos. O proprietário decide colocar uma câmera escondida na casa, numa tentativa de filmar os vândalos, e assim descobrir suas identidades. Mas, o autor das perturbações, como captado pela filmadora, está longe de poder ser considerado um vândalo comum…
O pesquisador do caso também foi John Osborne.

4 – O poltergeist de Connecticut
 
Ed e Lorraine Warren
Uma família é atormentada por meses por algo que acreditam ser um poltergeist. A “investigação” do caso é feita pelos “demonologistas profissionais”, o casal Ed e Lorraine Warren. Os dois são muito famosos no meio “paranormal” porque estão presentes em vários casos de assombração ou poltergeist famosos, como o “Horror em Amityville”. Arroz de festa mesmo, os dois estão em todas… Nem preciso dizer que a opinião deles é altamente parcial, certo? Para eles, esses fenômenos são causados por demônios ou espíritos ruins. Se já não bastasse pensarem e, em alguns momentos, se vestirem de maneira medieval, eles ainda “combatem” as tais entidades que encontram também com práticas medievais:  “exorcismos” e “provocações religiosas” (assistiu “O Exorcista”? é mais ou menos daquele jeito…). Apesar disso, sempre estão presentes em programas de TV (como a série “Assombrações” do Discovery Channel) e são assunto de inúmeros livros e artigos. No caso em questão, apresentado neste documentário, os Warren dizem ter filmado as evidências mais contundentes já filmadas de manifestações paranormais hostis. Ali, nós vemos móveis se mexendo e “espíritos” se comunicando com Ed. As imagens são interessantes. As conclusões deles, não tanto.Disse asneira
 
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