Morcegos Vampiros
Morcegos Vampiros

Morcegos


Morcegos Vampiros: 
Morcegos vivem em quase todas regiões do mundo, menos nas polares e ilhas muito afastadas.

Embora o morcego não tivesse sido associado ao mito do vampiro até o século 19, ele tem aparecido repetidamente desde os dias de Esopo e suas fábulas. Observadores antigos comentaram a semelhança de suas características com os seres humanos.

Os conquistadores espanhóis interpretaram a nova variedade de morcegos, os chupadores de sangue que encontraram no México e na América do Sul, à luz tanto da imagem anterior de morcegos no folclore como das suas crenças tradicionais sobre vampiros humanos. Chamaram-nos não apenas de morcegos vampiros, por exemplo, como também os descreveram como criaturas chupadores, em vez de criaturas ‘lambedoras de sangue’. No século seguinte a associação entre vampiros e morcegos ficou ainda maior, William Blake utilizou o morcego vampiro no desenho de seu poema épico Jerusalem.

Embora os morcegos estivessem em voga com os vampiros, foi somente em 1897, quando Dracula foi lançado, que os vampiros e os morcegos tornaram-se realmente associados. Em Dracula, o morcego é uma das criaturas da noite que Dracula domina e no qual pode se transformar. O morcego aparece logo no início do romance e paira do lado de fora da janela do quarto de Jonathan Harker no Castelo de Dracula. Mais tarde, Harker vê Dracula assumindo a forma de morcego ao descer pelas paredes externas do castelo. Quando a ação se transfere para a Inglaterra, a presença de Dracula é mais freqüentemente associada ao morcego do que a forma humana. A aparição de Dracula na forma de morcego sempre se dá a noite e a associação do morcego com o vampiro contribuiu substancialmente para a compreensão, no século 20, do vampiro como criatura da noite.

No capitulo 12 de Drácula, Bram Stoker sugere, mas não desenvolve, a idéia de que os morcegos vampiros poderiam ser, em última analise, a causa do vampirismo.

É claro que muito do que sabemos sobre vampiros é baseado em estudos, livros e conhecimentos transmitidos a partir de lendas, mas devemos saber reconhecer e separar o real do imaginativo extravagante. Devemos dismistificar ficções muito grosseiras, conhecer a verdade por trás das informações encontradas e pesquisar, não deixar nunca de aprender e conhecer o fruto da sua pesquisa.

No caso dos MORCEGOS VAMPIROS ou de vampiros que se transformam em morcegos, logo de inicio devemos reconhecer que é impossível tal mutação. Primeiramente, devemos reconhecer que vampiros originam-se de humanos e um humano, por mais modificado que se torne não conseguiria transformar-se em vampiro, pensem somente na parte física, o vampiro tem seu corpo morto, mas ainda sim possui um corpo.

O vampiro não é um demônio, uma "alma" que pode transformar-se ou adquirir a forma que deseja, simplesmente por sua vontade. O vampiro é um ser que pulou a grade da cadeia alimentar que conhecemos e passou a digerir sangue.

A lenda dos vampiros que se transformam em morcegos surgiu porque existe uma família desses mamíferos que se alimentam de sangue, os morcegos hematófagos. 
 

Morcego Hematófago: 
São os famosos morcegos-vampiros. Eles se alimentam exclusivamente de sangue de vertebrados, sendo os únicos cordados (filo Chordata) a terem essa especialização. Há apenas três espécies no mundo, que ocorrem apenas nas Américas. Duas atacam aves, a Diphylla ecaudata e a Diaemus youngii,  e uma, ataca aves e mamíferos (Desmodus rotundus).

É interessante lembrar que os morcegos-vampiros possuem ainda um sétimo sentido, a termorecepção. Eles são capazes de perceber ondas de calor à curta distância, habilidade útil para sentir vasos sangüíneos mais superficiais na pele do animal a ser atacado. Deste modo, evitam acordar a presa com mordidas desnecessárias, indo direto ao ponto.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, apenas três das quase 1.000 espécies de morcegos são hematófagas (do grego, hematos = sangue; fagos = comer), ou seja, alimentam-se de sangue: os famosos vampiros. Dessas três espécies, apenas uma ataca mamíferos e muito raramente humanos. É bom lembrar que eles não são vampiros mitológicos ou demônios, mas apenas mamíferos, como nós. Pertencem à uma família chamada Desmodontidae. Outros pesquisadores preferem agrupá-los à familía Phyllostomidae, dentro de uma sub-família chamada Desmodontinae.

Essas três espécies pertencem a três gêneros e são elas:

 Desmodus rotundus - o morcego-vampiro comum. Alimenta-se de aves e mamíferos.

 Diphylla ecaudata - o morcego-vampiro de pernas peludas. Alimenta-se apenas de aves.

 Diaemus youngii - o morcego-vampiro da asa branca. Alimenta-se apenas de aves.

Eles podem ser identificados pela "ferradura" no focinho, uma estrutura em forma de disco atrás das narinas (ver foto acima). Ataques a humanos são muito raros, só ocorrendo em caso de falta de outros animais.

Os ataques acontecem sempre à noite, quando as presas (bois, cavalos, porcos, cachorros, galinhas, patos etc.) estão dormindo. Os morcegos-vampiros localizam sua presa com o olfato e a visão. Ao encontrarem e escolherem um alvo adequado, usam sua termorecepção (percepção de calor à curta distância) para saberem onde há vasos sangüíneos à flor da pela. Então dão uma mordida rápida, superficial e quase indolor (com forma oval). Em sua saliva, há uma substância anti-coagulante, ou seja, que faz a ferida continuar sangrando além do tempo normal. Eles usam a língua dobrada em forma de tubo para lamberem o sangue até se saciarem. Depois descansam até conseguirem urinar o excesso de água do sangue, de modo a ficarem mais leves para voar para casa.

Um hábito bastante interessante que os morcegos-vampiros possuem é usar o mesmo animal e a mesma ferida por várias noites seguidas, a fim de pouparem trabalho.

É interessante notar que os morcegos-vampiros possuem menos dentes do que outros morcegos, como os frugívoros, por exemplo. Sua dentição é adaptada para alimento líquido (só utilizam sangue), não sendo necessários dentes molares e pré-molares desenvolvidos. Os dentes incisivos são muito afiados, assim como os caninos, de modo a facilitarem a mordida rápida e indolor. Outra curiosidade quanto aos vampiros é sua estrutura social muito sofisticada em relação a outros morcegos. As interações dentro de colônias são complexas, havendo fenômenos muito interessantes como a troca de alimento entre fêmeas, por exemplo, fêmeas que não conseguiram se alimentar em uma determinada noite recebem sangue regurgitado ("vomitado") por outras mais afortunadas.

Os morcegos hematófagos ficam totalmente apoiados na parede e saem do abrigo depois que escurece, enquanto que os não hematófagos ficam pendurados pelos pés de cabeça para baixo e começam a voar ao entardecer. Porém, em um mesmo abrigo pode existir colônias de morcegos hematófagos e de não hematófagos, mas elas não se misturam.  Os principais abrigos são: cavernas, ocos de pau, bueiros, debaixo de pontes, casas abandonadas, túneis, tulhas e fornos de carvão abandonados, entretanto, o abrigo deve ser escuro e fresco, com temperatura variando de 22 a 28ºC e umidade relativa do ar de 50 a 70%. 
 

Contato com morcegos, o que fazer? 
Se um morcego entrou na sua casa:

Se ele estiver voando (na sua sala ou quarto), apague as luzes e abra todas as janelas. Ele não quer contato com você (morcegos têm medo de pessoas) e provavelmente achará a saída.

Se ele estiver andando no chão, tente de alguma forma conduzi-lo para fora de casa, sem tocar nele. Por exemplo, espante-o de leve com uma vassoura (mas não bata nele!).

Se ele estiver caído e imóvel, coloque luvas de couro, ou uma proteção forte, e leve-o para fora de casa. Nunca  pegue morcegos com as mãos nuas!

É muito comum morcegos serem atraídos para residências por frutas expostas ou bebedouros de beija-flor deixados durante a noite.  Também é comum morcegos visitarem árvores frutíferas como mangueiras, sapotizeiros, figueiras e amendoeiras. Não se preocupe, eles estão apenas procurando frutas para comer. 
 

Se você foi mordido por um morcego (apesar de essa ser uma possibilidade muito remota): 
Caso você tente pegar um morcego, ele provavelmente morderá para se defender. Ataques de morcegos-vampiros a pessoas são muito raros; eles preferem bois, cavalos, cachorros, porcos, galinhas etc.

Se você for mordido, lave muito bem o local ferido com água e sabão neutro. Vá o mais rápido possível para um posto de saúde ou hospital, para poder tomar a vacina anti-rábica. Esse procedimento vale para qualquer mordida de mamífero (ratos, cachorros, gatos, macacos etc.), pois todos são potenciais transmissores de raiva. Lembre-se de que a raiva, se não for tratada, pode matar. Mas não fique com medo de morcegos: é muito mais freqüente pegar raiva de cachorros de rua.

Há dois tipos de mordidas: as alimentares e as defensivas. As alimentares são feitas por morcegos-vampiros jantando e têm forma oval, sendo muito superficiais (marcas dos dentes incisivos).  As defensivas são feitas por morcegos desesperados para se livrarem de algum humano que os está segurando e têm a forma de quatro furos profundos (marcas dos dentes caninos). 
 

Desmentindo as mentiras 
Morcegos não são ratos! Morcegos não são aves! Morcegos não são insetos! Morcegos não são cegos!  Morcegos não são seres mitológicos! Morcegos são os mamíferos que têm as dietas mais diversificadas! Apenas três das quase 1.000 espécies se alimentam de sangue. Morcegos não são todos pretos ou cinzas! Há morcegos de várias cores  (inclusive amarelos e vermelhos)! Morcegos não se emaranham nos cabelos das pessoas! Morcegos não "mordem e assopram"! A mordida de um morcego-vampiro é quase indolor a um cavalo, porque é muito superficial.  Morcegos morrem, quando pegam raiva! Morcegos não mordem pessoas, a não ser que se tente pegá-los com as mãos (exceto em raríssimos casos de ataques de morcegos-vampiros).

Fonte:  Marco Aurélio Ribeiro de Mello - Biologo 

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